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terça-feira, 22 de março de 2011

O peso que a gente leva... (Pe. Fábio de Melo)


"O perigo da viagem mora nas malas. Elas podem nos impedir de apreciar a beleza que nos espera. Experimento na carne a verdade das palavras, mas não aprendo. Minhas malas são sempre superiores às minhas necessidades. É por isso que minhas partidas e chegadas são mais penosas do que deveriam.

Ando pensando sobre as malas que levamos...

Elas são expressões dos nossos medos. Elas representam nossas inseguranças. Olho para o viajante com suas imensas bagagens e fico curioso para saber o que há dentro das estruturas etiquetadas. Tudo o que ele leva está diretamente ligado ao medo de necessitar. Roupas diversas; de frio, de calor – o clima pode mudar a qualquer momento! – remédios, segredos, livros, chinelos, guarda chuva – e se chover? –, cremes, sabonetes, ferro elétrico – isso mesmo! – Microondas? – Comunique-me, por favor, se alguém já ousou levar.

O fato é que elas representam nossas inseguranças. Digo por mim. Sempre que saio de casa levo comigo a pretensão de deslocar o meu mundo. Tenho medo do que vou enfrentar. Quero fazer caber no pequeno espaço a totalidade dos meus significados. As justificativas são racionais. Correspondem às regras do bom senso, preocupações naturais para quem não gosta de viver privações.

Nós nos justificamos. Posso precisar disso, posso precisar daquilo...

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve."

Padre Fábio de Melo

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DEUS É SILÊNCIO

Muitos são os sinais que, ao longo do tempo, o Senhor nos dá mostrando a sua ação em nossa vida. Ele age de modo silencioso, sem fazer espetáculo e, por isso, precisamos aprender a como perceber os pequenos sinais de sua presença em nosso cotidiano.

Precisamos ter o coração aberto e humilde para que, assim, possamos enxergar o quanto o Senhor faz maravilhas em nossa vida. Precisamos abrir mão de nossos projetos egoístas, os quais não permitimos que sejam conduzidos pela vontade de Deus, para que possamos compreender e ver como são grandes e belas as obras que o Senhor opera em nossa vida. Somente tendo o coração voltado para Deus, é possível entender e também proclamar, como Maria, que “o Senhor fez maravilhas em mim”!

Deus é silêncio e age em silêncio. É no mais íntimo e silencioso recanto da alma que o Senhor dá a conhecer a sua vontade. Deus não fica o tempo todo trovejando do alto das nuvens a nos dizer o que deseja que façamos. Por isso, precisamos aprender a ouvir o que Ele nos diz no silêncio. Precisamos aprender a amar o silêncio da mesma forma que o Senhor ama o silêncio.

No silêncio daquela madrugada do terceiro dia, Jesus ressuscitou; no silêncio de seu coração, Maria guardou todos os acontecimentos que se passaram com ela e com o Senhor; no silêncio do deserto, os profetas escutaram a palavra de Deus; no silêncio das prisões, os mártires entregaram suas vidas nas mãos de Cristo; no silêncio do mundo, os santos se puseram nas mãos de Deus e nele depositaram sua confiança.

A presença de Deus se faz nos corações que buscam a paz e a harmonia, a tranqüilidade e o silêncio. A ação de Deus se manifesta nas pessoas que promovem a paz e espalham o perdão. A obra de Deus inunda e transforma o mundo quando as pessoas percebem e colaboram com o Senhor em seu agir silencioso e onipotente.


Nilson Antônio da Silva

Fonte: http://milesecclesiae.blogspot.com

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Para que serve o horizonte?


Certa vez alguém chegou no céu e pediu pra falar com Deus porque, segundo o seu ponto de vista, havia uma coisa na criação que não tinha nenhum sentido. Deus o atendeu de imediato, curioso por saber qual era a falha que havia na Criação.   - Senhor Deus, sua criação é muito bonita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser. Mas no meu ponto de vista, tem uma coisa que não serve para nada - disse.  
- E que coisa é essa que não serve para nada? - perguntou Deus.  
- É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direção ao horizonte, ele se afasta um passo de mim. Se caminho dez passos, ele se afasta outros dez passos. Se caminho quilômetros em direção ao horizonte, ele se afasta os mesmos quilômetros de mim...  Isso não faz sentido!  O horizonte não serve pra nada!   
Deus olhou para aquela pessoa, sorriu e disse:
- Mas é justamente para isso que serve o horizonte... para fazê-lo caminhar.
  Não importa qual a distância a ser percorrida, saiba que você sempre poderá ainda ir adiante. 

 
Autor desconhecido

sábado, 26 de junho de 2010

Victor Hugo

"Seja como os pássaros que, ao pousarem, um instante, sobre os ramos muito leves,
sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas."

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Depende de nós!

“Certa vez, um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive neste lugar?
- Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem?
Perguntou por sua vez o ancião.
Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz - estou satisfeito de haver saído de lá.
A isso o velho replicou:
- A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta:
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?"
O rapaz respondeu:
- Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras.
Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
- O mesmo encontrará por aqui, respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu:
- Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive.
Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo e o futuro de cada um de nós está escrito no passado.
Ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo.
O ambiente, o presente e o futuro somos nós que criamos e isso só depende
de nós mesmos.”


(autor desconhecido)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Fernando Pessoa


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

sábado, 17 de outubro de 2009